No puedes comprar la lluvia

A tal da história da privatização do Aquífero Guarani é fake, pero no mucho… De fato, não existe, assim literalmente, uma negociação de privatização sendo feita diretamente com a coca-cola e a nestlé, e foi isso que os sites e-farsas e Boatos.org se propuseram a desmentir. No entanto, existe sim, em consulta no Senado, uma proposta do Tasso Jereissati (PSDB), que introduz “mercados de água” não só no aquífero guarani, como no país todo. A proposta modifica um artigo que atualmente proíbe a alienação de águas, resultando em um ambiente mais privatista e excludente com relação aos recursos do que o que já existe hoje (que não pode ser considerado totalmente público).

A justificativa para o projeto, como qualquer justificativa de mercado para alocar recursos naturais escassos e de primeira necessidade, é bizarra: “promover alocação eficiente dos recursos hídricos, especialmente em regiões com alta incidência de conflitos pelo uso de recursos hídricos”. Quer dizer, tem alta incidência de conflito, então leva quem tiver mais dinheiro. Faz bastante sentido mesmo, ainda mais em se tratando de água!

Para tornar os recursos hídricos nomeadamente privatizados, tal como ocorre no paraíso neoliberal chileno, seria necessário uma PEC, mas isso é coisa que a gente sabe que não é impossível nem improvável de ser feita no desgoverno em que vivemos.

Da mesma forma, não é porque coca-cola e nestlé não estão de fato comprando o aquífero hoje que não exista interesse crescente e encontros constantes dessas empresas e de outras com o governo para discutir como modificar a legislação e lucrar em cima da água e outros recursos. Nesse mês, grandes empresas participam do fórum mundial das águas, custeado com dinheiro público e organizado para empresas pelo governo, negando voz aos movimentos sociais. Para se contrapor a isso, foi organizado o Fórum Alternativo Mundial da Água, pela sociedade civil organizada, e com dinheiro de doações: http://fama2018.org/.

Mientras, fiquemos com a memória e a força dos civis mortos por lutarem contra a privatização da água em Cochabamba e com uma música de luta para acalentar o coração.

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