Quanto vale ou é por quilo? o peso da mais-valia

Isabela Prado Callegari

11 de Abril de 2019

O capitalismo tem um problema permanente com as crianças e os idosos. Como o sistema não é destinado ao desenvolvimento humano, a satisfazer as necessidades das pessoas, nem a melhor gerir recursos e tecnologia para a coletividade, essas pessoas são vistas como um peso a ser carregado, por não estarem produzindo (formalmente) mercadorias e lucro nesse momento de suas vidas, mesmo que o restante dela seja dedicado a isso. No entanto, outra classe de pessoas, em posição de se apropriar de parte do que outros produzem, não será apresentada pelo mesmo sistema como um peso, mas sim como um caso de sucesso, mesmo que ela não produza nada em nenhuma etapa da vida.

O momento que vivemos agora no Brasil e no mundo é de intensificação do extrativismo e da exploração do trabalho humano para a acumulação privada de poucos. Ao mesmo tempo, afrouxam licenças ambientais, acabam com os parcos serviços públicos para que as pessoas gastem o que tiverem no provimento mercadológico de direitos básicos, e atacam as crianças, os idosos, os deficientes, as grávidas, todos considerados improdutivos aos olhos do sistema.

O mesmo procedimento é aplicado ainda ao sistema carcerário, com a ampliação forçada dessa população, por meio de medidas punitivistas socialmente nocivas, mas que podem ser muito lucrativas, seja com a nova “privatização de presídios”, seja com as reiteradas tentativas de legalizar trabalhos forçados. Buscam também mudar a todo custo a legislação trabalhista e as definições de trabalho escravo para legalizar o que já ocorre na informalidade. Agora, miram as crianças com Pec do Teto + Desreforma do Ensino Médio + Ensino a distância, que são na prática a legitimação de duas classes de jovens e crianças, umas estudam, outras trabalham. Tudo isso permite uma ampliação legalizada dos níveis de exploração e um aumento do exército industrial de reserva, que sem garantia de direitos básicos e serviços públicos, estará devidamente desesperado para vender a única propriedade de que dispõe, o seu tempo de trabalho. Pois, como diria alguém famoso por aí… A liberdade capitalista é a liberdade para morrer de fome.

 

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Vidas negras, presentes!

Isabela Prado Callegari

10 de Abril de 2019

No dia em que estamos de luto pelos 80 tiros em um carro de uma família negra, viraliza um vídeo mostrando um rapaz negro colocando caixas embaixo dos pés de uma senhora branca pra ela atravessar a rua, buscando exaltar a “solidariedade e genteboazice” do brasileiro. No entanto, fica claro que o rapaz era mais um se virando na informalidade pra ganhar uns trocos no meio da chuva. Infelizmente, isso não é solidariedade. É exigência social tácita à subserviência, é racismo, desigualdade social e desvalorização das vidas negras também. Em um caso, a violência é coercitiva, bruta e vem direto do aparelho estatal, e no outro, ela é tão explícita quanto, só que mais difusa, sintoma da estrutura social capitalista, de anos de escravidão, e é mais naturalizada. Ambas violências que atingem negros todos os dias.

Cabe lembrarmos de duas máximas de Angela Davis:

“Se todas as vidas importassem, não precisaríamos proclamar enfaticamente que a vida dos negros importa.”

“Em uma sociedade racista, não basta não ser racista, é necessário ser antirracista.”

Escolinha do professor Olavo

Isabela Prado Callegari

09 de Abril de 2019

Sai um olavete que (i) diz que brasileiros são canibais arrancadores de poltronas de avião; (ii) não sabe preencher o lattes e coloca que escreveu livro no século xix; e (iii) quer privatizar a educação.

Entra um olavete que (i) acha que gente do nordeste só tem direito a estudar agronomia, porque afinal, estão no nordeste e têm que se comportar como miseráveis que não querem nada além de comer,filosofar só do Rio pra baixo; (ii) só tem mercado financeiro no currículo; (iii) discute modelos de educação pública com um príncipe, à la século xix; (iv) defende parcerias demagogas com o Estado genocida de Israel para trazer tecnologia que o Brasil já tem e é mais barata; e (v) quer privatizar a educação.

Mas relaxem que não é tudo ideologia. É ideologia com preconceito, racismo, elitismo e ignorância também. Conhecido como o mal com pitadas de psicopatia.

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Passados míticos, presentes críticos

Isabela Prado Callegari

09 de Abril de 2019

Um patrulhamento do exército resulta em um rapaz morto, um ferido, 80 tiros em carro de família, morte de um pai na frente de seu filho de 7 anos, o sogro ferido e a viúva, casada há 27 anos, dizendo que perdeu seu melhor amigo, gritando socorro e recebendo risos dos assassinos.  O exército primeiro tenta mentir e dizer que foi uma justa reação a um ataque (de uma família indo a um chá de bebê), depois vê que ficou feio demais e manda prender em flagrante pra abafar o caso até poder soltá-los. Mas esquece tudo isso que aconteceu ontem e acontece cotidianamente nas periferias e segue aí repetindo na internet que no tempo dos militares era bom e só foi torturado e morto quem era guerrilheiro, porque deve fazer bem pra tua consciência acreditar nisso.

E o nosso excelentíssimo fascínora? vai se pronunciar daquele modo padrão “os excessos devem ser punidos”, “o caso já está sendo investigado”, ou vai partir pra defesa aberta mesmo, igual quando ele homenageou na câmara miliciano condenado por homicídio?