Embat: um 11 de setembro para destituir

Texto original em catalão no site do Embat: http://embat.info/embat-davant-un-11s-destituent/

Para nós, libertárias do Embat, o dia 11 de setembro simboliza uma data para lembrar todas aquelas pessoas que, neste país, se levantaram contra a opressão para defender as liberdades ao longo dos séculos, lutando contra as estruturas dominantes. Graças à estas pessoas, sistematicamente reprimidas com brutalidade e enterradas como anônimos em foças comuns, hoje podemos manter a chama de uma vida livre.
Este 11 de setembro, como sempre, encontra-se dentro de uma grande onda de mobilização popular que desde diferentes entidades e tradições políticas demandam cotas maiores de soberania. Defendemos como sempre a participação direta de toda a população nas questões que afetem a elas e portanto defendemos o direito de autodeterminação que o nosso povo ha de exercer no dia 1 de outubro. Sendo assim, apartir do processo constituinte que começaria o dia 2 de outubro, desejamos poder ampliar este desejo a todos os âmbitos do cotidiano. Será um momento para reescrever as regras que pautam a nossa sociedade e para colocar na mesa modelos diferentes de Estado. Apesar de tudo, isso dependerá do que acontecerá durante o mês de setembro, que será crucial.

Temos um cenário com um “regime de 78” (http://vientosur.info/spip.php?article7571) que já não é capaz de governar de forma pacífica e convencional a Catalunha. Cada vez mais camadas sociais estão deixando de acreditar na legitimidade do “regime” para ditar leis, para dizer o que devemos fazer. A Generalitat (governo catalão) e muitas prefeituras atuam praticamente como instituições de um país independente. A classe média, os jovens, e parte da classe trabalhadora não sentem mais nenhuma vinculação com o Estado espanhol. O governo central tentará revertir isso no grito de “unidade à pátria” e de “indivisível nação espanhola”, com a contribuição lamentável da maioria da esquerda espanhola e catalã, que podiam aproveitar a conjuntura para derrubar a monarquia pós-franquista.

Seremos testemunha do enfrentamento entre as instituições catalãs e estatais espanholas, o posicionamento de lealdades, a disputa entre legalidades, o ajuste de posições… O Estado espanhol não será fácil de ser derrotado e já começa uma perigosa demonstração de força política, judicial e policial. Sabemos que apenas com o voto não alcançaremos a independência. Precisamos de uma grande mobilização disposta desobedecer com o objetivo de desgastar o controle do Estado espanhol sobre o territorio catalão.

Também é um bom momento para abrir novos fronts de conflitos vindo dos nosso bairros (associações de vizinhos, assembleias, grupos pelo direito à moradia) e dos sindicatos, para elaborar políticas de moradia, de “remunicipalização”, de relações trabalhistas, que ajudem a definir uma postura popular do processo constituinte.

Apoiamos e incentivamos o apoio a todas as manifestações a favor do exercício de autodeterminação contra o autoritarismo.

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